sábado, 9 de novembro de 2019


Curiosidades históricas da cidade que um dia foi maravilhosa.
"Nas últimas décadas do século XIX, a cidade se ressentia da ausência de um entreposto de gêneros alimentícios melhor dimensionado às necessidades da crescente população, pois os existentes já haviam sido superados pela demanda, como no caso da Praça do Mercado, obra de Grandejean de Montigny, conhecido também como Mercado do Peixe de 1841 (onde está localizada a Bolsa de Valores). Inaugurado em 1907 possuía uma torre em cada um dos cantos, onde havia um portão, além de outros quatro em cada lado. No centro estava um pavilhão octogonal de maiores dimensões, com 35 metros de altura e um relógio. A estrutura era dividida por 16 ruas internas, oito radiais e oito transversais, com calçamento de paralelepípedos, sendo as centenas de lojas supridas com serviços de água, luz, esgoto e gás. Voltado fundamentalmente para o comércio de alimentos, o Mercado Municipal se tornaria o maior entreposto do gênero durante boa parte do século passado, dinamizando a atividade comercial nas ruas próximas. Porém, mais uma vez o crescimento da cidade exigiria novos investimentos no setor e a construção de centros maiores, acabando por torná-lo superado em sua função original. "No final dos anos 50, a Prefeitura do Distrito Federal já tinha intenção de o demolir em um projeto de urbanização no qual previa-se a construção da avenida Perimetral, obra que mais iria agredir e desfigurar o histórico local. Apesar da nova via não atingir totalmente o mercado, o poder público uma vez mais não fez cerimônia e destruiu totalmente um patrimônio da coletividade, o qual poderia de outra forma ser preservado para outras finalidades como a cultura, em benefício das gerações futuras." Hoje ainda é possível ver no local a única torre que sobrou, das quatro laterais que compunham o prédio,   transformada em restaurante especializado em frutos do mar.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

                                            Mosteiro São Bento Rio de Janeiro.

Fundado em 1590 por monges vindos da Bahia, o Mosteiro Beneditino do Rio de Janeiro foi construído a pedido dos próprios habitantes da recém-fundada cidade de São Sebastião. Em pleno centro da grande metrópole, conserva-se como um lugar de silêncio e oração. A visita é restrita à Igreja Nossa Senhora de Montserrat, anexa ao Mosteiro. Detalhes como o portão em ferro art nouveau e os altares em jacarandá cobertos por ouro são impressionantes.
                                          Portal do Mosteiro São Bento Rio de Janeiro
                                                Mosteiro São Bento - Rio de Janeiro
                                              Mosteiro Sto. Antonio - Rio de Janeiro

Localiza-se no Largo da Carioca, no alto do Morro de Santo Antônio. O convento forma, junto com a vizinha Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, um dos mais antigos e importantes conjuntos coloniais remanescentes no Rio de Janeiro.
A história do Convento de Santo Antônio começa em 1592, quando chegaram os primeiros frades franciscanos ao Rio de Janeiro. Em 1607 foi-lhes concedida a posse de um morro, atualmente conhecido como Morro de Santo Antônio, no qual começaram a construir o convento em 1608. O primeiro arquiteto foi frei Francisco dos Santos, mas vários outros religiosos-arquitetos franciscanos interferiram na obra. A primeira missa foi rezada em 1615, com a igreja do convento ainda em construção, e só em 1620 foi terminado o conjunto. Ao sopé do morro encontrava-se uma lagoa, no lugar do atual Largo da Carioca, que foi aterrada em 1679, depois de insistentes pedidos dos franciscanos.
Entre 1697 e 1701 a fachada da igreja do convento foi ampliada, contando agora com uma galilé com três arcos de entrada. Na segunda metade do século XVIII os arcos foram substituídos por portais barrocos esculpidos em pedra de lioz portuguesa. Os portais são encimados por três janelas, por sua vez encimadas por um frontão com recortes contracurvados. Esse frontão é neo-colonial e foi introduzido na década de 1920. O original era triangular, de feição maneirista, como aliás eram os frontões dos templos mais antigos da cidade, como os das igrejas de Santo Inácio (demolida) e do Mosteiro de São Bento.
O interior da igreja é bastante simples e tradicional, de forma retangular e com uma só nave. A capela principal e os altares laterais tem talha dourada do período entre 1716 e 1719, de feição barroca tardia, mais típica do século XVII que do XVIII. O altar principal, com uma imagem de Santo Antônio, tem as típicas colunas retorcidas (salomônicas) e arcos concêntricos de carregada decoração. As paredes e o teto da capela são totalmente cobertos de talha e possuem painéis pintados que contam a vida de Santo Antônio, formando um belo conjunto. Do lado direito da igreja está a capela da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência , com talha mais tardia. No subcoro, junto à entrada da igreja, há uma série de curiosos bustos dos dezoito Mártires do Japão, em memória dos frades franciscanos martirizados no século XVII naquele país.
O convento foi muito alterado e ampliado ao longo do tempo, sendo essencialmente um edifício da segunda metade do século XVIII. A extensa fachada virada para o Largo da Carioca tem várias janelas de forma quase quadrada, muito espaçadas, que indicam a antiguidade do edifício. Um enorme cunhal de cantaria, na esquina do convento, é encimado por um grande pináculo. No interior há um claustro, de planta quadrada, ainda utilizado pelos frades do convento.
Na portaria, construída entre 1779 e 1781, há um nicho com uma estátua de Santo Antônio. Sobre a portaria, ao lado da entrada da igreja, há um campanário de cantaria com três sinos. O convento não tem nenhuma torre sineira.
O mais notável do convento é a sacristia setecentista, construída cerca de 1714 e considerada a melhor do Rio de Janeiro. Pouco se sabe sobre os autores das obras da sacristia, decorada com armários entalhados, azulejos portugueses, teto com molduras barrocas e pinturas sobre Santo Antônio, piso com mosaicos de mármore português e um magnífico arcaz de madeira de jacarandá, entalhado e assinado pelo português Manuel Alves Setúbal em 1745. Perto da sacristia se encontra outra magnífica peça: um lavabo português esculpido em mármore de Estremoz.
Um dos mais famosos religiosos franciscanos relacionados ao Convento de Santo Antônio é Frei Vicente do Salvador (1564-1639), co-fundador do convento. Frei Vicente do Salvador, nascido na Bahia, foi autor de um dos primeiros livros sobre a história da colônia (História do Brasil, 1627), em que narra os fatos desde o Descobrimento do Brasil até o início do século XVII.
Outro importante religioso foi Frei Francisco de Santa Teresa de Jesus Sampaio, amigo de D. Pedro I e um dos conspiradores que convenceu o príncipe a declarar a Independência do Brasil. Na cela de Frei Sampaio se realizaram muitas reuniões secretas dos partidários da Independência, e o próprio religioso foi o redator da carta que foi entregue ao futuro imperador e que levou ao famoso Dia do Fico.
A primeira Imperatriz do Brasil, D. Leopoldina, morta em 1826, foi sepultada no Convento da Ajuda, na atual Cinelândia. Quando o convento foi demolido, em 1911, os restos da Imperatriz foram trazidos ao Convento de Santo Antônio, no qual foi construído um mausoléu para ela e alguns membros da Família Imperial. Em 1954, os restos de D. Leopoldina foram transferidos definitivamente para o Museu do Ipiranga, em São Paulo.
A imagem de Santo Antônio da portaria do convento, colocada aí em 1781, tem um história muito atribulada. Em 1710, quando o Rio de Janeiro foi invadido pelos franceses liderados por Jean François Duclerc, o governador Francisco de Castro Morais pediu proteção ao santo. Uma vez vencidos os franceses, o governador nomeou a estátua de Santo Antônio como capitão de infantaria, com direito a soldo, pago ao convento.
A história impressionou o Príncipe-Regente D. João VI, que promoveu a imagem de Santo Antônio a sargento-mór em 1810 e a tenente-coronel em 1813. D. João também lhe deu um belo bastão cravejado de pedras preciosas. O soldo do santo só deixou de ser pago ao convento em 1911.


sábado, 27 de dezembro de 2014

No Rio de Janeiro - Praça Tiradentes e proximidades

                                                Relógio Centenário no Centro do RJ.

O monumento é de 1909 e era originalmente um lampadário decorativo, composto por peças ornamentais feitas em ferro fundido. Foi o segundo do Rio, pois o primeiro lugar da cidade a ganhar esse tipo de iluminação pública foi a Lapa, em 1906, na então Avenida Central, atual Rio Branco.






Em muitas ruas do centro comercial do Rio de Janeiro ainda preservados ou em processo de restauração, estão os sobrados que nos séculos XIX e XX, eram residências das classes sociais mais abastadas. Atualmente a maioria abrigam lojas comerciais, bares e restaurantes.  Caminhando pelas ruas estreitas tem-se a impressão de uma volta ao passado onde as senhorinhas passeavam com vestidos longos rodados e cavalheiros com cartolas e bengalas. 


                                       Estátua equestre de D. Pedro II - Pça. Tiradentes - RJ.


O principal monumento da praça é a imponente estátua equestre de Dom Pedro I, inaugurada em 1862. A estátua equestre destaca a figura de D. Pedro I vestido com o uniforme de general, segurando com a mão esquerda as rédeas, com o braço direito levantado, D. Pedro I acena com o ato da Independência do Brasil. O monumento mede 15,7m de altura, sendo 3,30m da base de cantaria, 6,40m da coluna onde estão os conjuntos alegóricos e mais 6m da estátua equestre.
Nas faces laterais abaixo do monumento de D. Pedro I encontram-se as armas de Bragança, em bronze, vigiadas por dois dragões de ouro. E na moldura representada no pedestal, estão nomeadas as vinte províncias do Brasil da época, com uma coroa sobre cada uma. Já na parte superior da frente principal estão as armas do Império e a seguinte inscrição: “A Dom Pedro Primeiro, Gratidão dos brasileiros.

                                                 Detalhe da estátua na Pça. Tiradentes - RJ.

                                    

Aqui, praça da República - Campo de Santana - Corpo de Bombeiros.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Cidades históricas e o caminho do ouro das Minas Gerais.


            O caminho do ouro das Minas Gerais
                                                  As cidades históricas,
Caminhando pelas ruas e ladeiras de Ouro Preto tem-se a impressão de se estar num passado distante apesar do movimento moderno que a cidade hoje apresenta. Os casarões perfilados lado a lado parecem sustentarem-se uns aos outros, apresentam coloridos diferentes com grandes janelas e portas altas e, em alguns sobrados, debruçadas sobre patamares das sacadas, congeladas pelo tempo, lá estão, em gesso, figuras de negras mucamas do tempo do Império a deslumbrar o passar do vai e vem de  visitantes e moradores. As lojas de souvenirs apinhadas de turista a descobrir novidades em pedra sabão, artesanatos da região, disputam as melhores peças.
Ouro Preto é uma das cidades históricas mais visitadas em Minas Gerais, nela podemos reverenciar os homens do ouro, não os fidalgos, mas sim os negros escravos que trabalharam nas minas e rios e as negras mucamas, negras de ganho que trabalhavam nas casas fidalgas ou carregavam cestos nas cabeças carapinhadas; e igrejas, muitas igrejas com a arte sacra barroca feita por Antônio Francisco Lisboa, o aleijadinho.

Localizada há uma altitude média de 1179 metros, é uma cidade  tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco em 1980.
Fundada em 1711 recebeu o nome de Vila Rica, mais tarde, em 1823, após a Independência de Portugal, foi declarada por D. Pedro I recebendo o título de Imperial Cidade, tornando-se a capital da então Província das Minas Gerais, recebendo o cognome de Imperial Cidade de Ouro Preto.
Nas ladeiras calçadas com pedras e as ruelas que dão acesso às ruas mais largas tem-se a impressão de uma interminável maratona para conhecer toda a cidade, pois, a cada esquina uma nova imagem, um novo caminhar através da história.
Adaptados aos tempos modernos e para atender uma clientela específica, o turista, alguns casarões, além de manterem o aspecto residencial, transformaram-se em restaurantes e bares, outros em pousadas e bazares para atender quem chega à cidade. Há também as Repúblicas, residências temporárias para estudantes da Universidade de Geologia, uma das mais concorridas no Brasil.
É impossível conhecer toda a cidade em apenas um dia, a dificuldade de locomoção pelas ruas e ladeiras fazem com que o visitante caminhe mais lentamente, pois, a fadiga caminha junto e o fôlego é perdido, porém, o cansaço é revigorado pelas belas paisagens da cidade. De baixo a visão é de uma cidade construída nas montanhas, do alto a cidade parece um mosaico, uma pintura em relevo com telhados de vários matizes que vai do vermelho ao barro solidificado, e de algum ângulo surge distante nas serras de Ouro Branco o Pico do Itacolomi, um ponto de referência que no passado serviu de orientação na região para muitos Bandeirantes.
 Em um grande espaço, em frente à igreja de São Francisco, a feira de artesanato, muito concorrida, podem-se encontrar peças de artistas populares e desconhecidos; as batidinhas de martelinhos em peças de pedra sabão, produzem um som característico apenas ouvido por quem está ali.
De quando em quando um sino em alguma das igrejas repica anunciando as horas do dia ou da noite. Nas noites da cidade, bares e restaurantes, com comidas regionais, ficam abertos até mais tarde, alguns com música ao vivo, outros, apenas com clientes bebericando e conversando, jogando conversa fora como diz o mineiro.
Há muito que caminhar pela cidade além de apreciar a arquitetura dos séculos XVIII e XIV. Para quem gosta de rememorar a historia do ciclo do ouro no Brasil é uma boa opção, pois, além de ser um museu a céu aberto a cidade possui acervos como: o Museu das Reduções, Museu do Chá, Museu da Ciência e Técnica da Escola de Minas, Museu da Inconfidência, Museu da Musica. Museu Casa dos Contos, Ludo Museu, Museu do Oratório, Museu Casa de Guignard, Museu da Fharmácia, Museu de Arte Sacra do Pilar, Museu aberto Cidade Viva e o Museu do Aleijadinho - (Antônio Francisco Lisboa), No Museu do Ouro onde podem ser vistas diversas pedras preciosas, além do Teatro Municipal Casa da Ópera da Cidade de Ouro Preto que foi construida em 1770.
Duas instituições, pela importância histórica da Cidade, se destacam no cenário de Ouro Preto; A primeira Escola de Farmácia da América do Sul, fundada em 1839 e a Escola de Minas, a primeira escola de estudos mineralógicos, geológicos e metalúrgicos do Brasil; hoje é considerada a principal instituição de engenharia do País.
Com uma estadia mais prolongada o visitante pode conhecer com maiores detalhes outros aspectos, paisagens e o povo da cidade, uma gente hospitaleira, gentil e simples.



                                       Artesanato tradicional em pedra sabão
                                Mais fotos de J. Dal`Lin neste link (copie e cole no navegador)
                http://www.panoramio.com/user/6373227?comment_page=2&photo_page=6

                                   Outras cidades Mineiras.
 Um passeio pelas ruas ladeadas por casarões antigos, podemos ainda participar por momentos do silencio que transcorria nos idos tempos coloniais. Em uma ou outra janela aberta aparecem, ainda hoje, grandes cortinas de organza esvoaçando ao interior. Nas grandes portas com pequenos quadrados de vidro besuntado, ou por venezianas entreabertas, expõem discretamente o interior. Nas paredes centenárias quadros com pinturas retratando aqueles que já se foram ou por vezes personalidades da historia local.
O piso das ruas, em algumas cidades, as pedras lembram um quebra cabeças, que postas e rejuntadas não deixam muito espaço entre uma e outra, chamam-na de pé de moleque.

Os sobrados e as casas, enfileiradas, dão a entender que quando foram erguidas aproveitaram-se minuciosamente todos os espaços, uma segurando a outra, assegurando talvez a união social determinante, tanto nos negócios quanto a laços familiares.

Nas ladeiras acima a vagareza de caminhantes sem pressa em chegar, afinal todos ainda guardam um pouco do tempo em que as horas eram marcadas pelo badalar dos sinos.

A visão do alto retratando os telhados compõe o traçado das cidades que não se diferenciam muito, parecem cópias uma das outras. Assim são as cidades históricas mineiras.

As igrejas, por todas as cidades têm praticamente as mesmas linhas arquitetônicas, as capelinhas se diferenciam, algumas mais simples, outras requintadas, assim como em seu interior. Ouro, muito ouro pelos altares onde o brilho tem um contraste especial a cada imagem, refletindo de certa forma na fé dos fiéis e deslumbrando a quem apenas visita.

Nestas cidades mineiras as casas e casarões são moldurados, pintados com cores vivas e tendo como pano de fundo as montanhas das “Gerais” e um infinito céu azul.

A gastronomia guarda muito dos tempos coloniais em casas de fazenda. Do fogão a lenha uma tênue fumaça incorpora aos ambientes com mesas e cadeiras rústicas, porém confortáveis. O “cheiro” exalado pelas panelas de barro constata a fama quando é posta à mesa. No variado cardápio fica difícil escolher o que saborear, pois a simplicidade também deve ser degustada juntamente com o sotaque “mineires”.

Em cada rua, esquina, casa, casarão, igrejas, capelas ou palácios, lá estão a historia, uma historia feita por senhores e escravos, pelo ouro e pedras preciosas, pelo suor do negro e pela esperança do senhorio.
“Libertas que será tamen”. Daí surgiram figuras ilustres, e daí a liberdade brilhou nas “Gerais”. Hoje temos oportunidade de rememorar caminhando pelos mesmos caminhos, pelas mesmas ruelas e ladeiras sob o lema da liberdade defendido pelos inconfidentes.
                                                 
   Pelos caminhos das Minas Reais - a rota do ouro, das pedras preciosas e da historia da Liberdade.

                                                Matias Barbosa.  
                                                                         Santos Dumont.
                               Viaduto na BR 499. MG.
 
                                                               São João Del Rei.
                                        
                                Cachoeira do Bom Despacho -Sta. Cruz de Minas.

                                                                     Tiradentes.
                                                                            Sabará.


                                                                          Mariana.

                                                                       Congonhas.