As cidades históricas,
Caminhando pelas ruas e ladeiras de
Ouro Preto tem-se a impressão de se estar num passado distante apesar
do movimento moderno que a cidade hoje apresenta. Os casarões perfilados
lado a lado parecem sustentarem-se uns aos outros, apresentam coloridos
diferentes com grandes janelas e portas altas e, em alguns sobrados,
debruçadas sobre patamares das sacadas, congeladas pelo tempo, lá estão,
em gesso, figuras de negras mucamas do tempo do Império a deslumbrar o
passar do vai e vem de visitantes e moradores. As lojas de souvenirs
apinhadas de turista a descobrir novidades em pedra sabão, artesanatos
da região, disputam as melhores peças.
Ouro
Preto é uma das cidades históricas mais visitadas em Minas Gerais, nela
podemos reverenciar os homens do ouro, não os fidalgos, mas sim os
negros escravos que trabalharam nas minas e rios e as negras mucamas,
negras de ganho que trabalhavam nas casas fidalgas ou carregavam cestos
nas cabeças carapinhadas; e igrejas, muitas igrejas com a arte sacra
barroca feita por Antônio Francisco Lisboa, o aleijadinho.
Localizada
há uma altitude média de 1179 metros, é uma cidade tombada pelo
Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco em 1980.
Fundada
em 1711 recebeu o nome de Vila Rica, mais tarde, em 1823, após a
Independência de Portugal, foi declarada por D. Pedro I recebendo o
título de Imperial Cidade, tornando-se a capital da então Província das
Minas Gerais, recebendo o cognome de Imperial Cidade de Ouro Preto.
Nas
ladeiras calçadas com pedras e as ruelas que dão acesso às ruas mais
largas tem-se a impressão de uma interminável maratona para conhecer
toda a cidade, pois, a cada esquina uma nova imagem, um novo caminhar
através da história.
Adaptados
aos tempos modernos e para atender uma clientela específica, o turista,
alguns casarões, além de manterem o aspecto residencial,
transformaram-se em restaurantes e bares, outros em pousadas e
bazares para atender quem chega à cidade. Há também as Repúblicas,
residências temporárias para estudantes da Universidade de Geologia, uma
das mais concorridas no Brasil.
É
impossível conhecer toda a cidade em apenas um dia, a dificuldade de
locomoção pelas ruas e ladeiras fazem com que o visitante caminhe mais
lentamente, pois, a fadiga caminha junto e o fôlego é perdido, porém, o
cansaço é revigorado pelas belas paisagens da cidade. De baixo a visão é
de uma cidade construída nas montanhas, do alto a cidade parece um
mosaico, uma pintura em relevo com telhados de vários matizes que vai do
vermelho ao barro solidificado, e de algum ângulo surge distante nas
serras de Ouro Branco o Pico do Itacolomi, um ponto de referência que no
passado serviu de orientação na região para muitos Bandeirantes.
Em um grande espaço, em frente à igreja de São Francisco, a feira de artesanato, muito concorrida, podem-se encontrar peças de artistas populares e desconhecidos; as batidinhas de martelinhos em peças de pedra sabão, produzem um som característico apenas ouvido por quem está ali.
Em um grande espaço, em frente à igreja de São Francisco, a feira de artesanato, muito concorrida, podem-se encontrar peças de artistas populares e desconhecidos; as batidinhas de martelinhos em peças de pedra sabão, produzem um som característico apenas ouvido por quem está ali.
De
quando em quando um sino em alguma das igrejas repica anunciando as
horas do dia ou da noite. Nas noites da cidade, bares e restaurantes,
com comidas regionais, ficam abertos até mais tarde, alguns com música
ao vivo, outros, apenas com clientes bebericando e conversando, jogando
conversa fora como diz o mineiro.
Há
muito que caminhar pela cidade além de apreciar a arquitetura dos
séculos XVIII e XIV. Para quem gosta de rememorar a historia do ciclo do
ouro no Brasil é uma boa opção, pois, além de ser um museu a céu aberto
a cidade possui acervos como: o Museu das Reduções, Museu do Chá, Museu
da Ciência e Técnica da Escola de Minas, Museu da Inconfidência, Museu
da Musica. Museu Casa dos Contos, Ludo Museu, Museu do Oratório, Museu
Casa de Guignard, Museu da Fharmácia, Museu de Arte Sacra do Pilar,
Museu aberto Cidade Viva e o Museu do Aleijadinho - (Antônio Francisco
Lisboa), No Museu do Ouro onde podem ser vistas diversas pedras
preciosas, além do Teatro Municipal Casa da Ópera da Cidade de Ouro
Preto que foi construida em 1770.
Duas
instituições, pela importância histórica da Cidade, se destacam no
cenário de Ouro Preto; A primeira Escola de Farmácia da América do Sul,
fundada em 1839 e a Escola de Minas, a primeira escola de estudos
mineralógicos, geológicos e metalúrgicos do Brasil; hoje é considerada a
principal instituição de engenharia do País.
Com uma estadia mais prolongada o visitante pode conhecer com maiores detalhes outros aspectos, paisagens e o povo da cidade, uma gente hospitaleira, gentil e simples.
Com uma estadia mais prolongada o visitante pode conhecer com maiores detalhes outros aspectos, paisagens e o povo da cidade, uma gente hospitaleira, gentil e simples.
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Outras cidades Mineiras.
Um passeio pelas ruas ladeadas por casarões antigos, podemos ainda participar por momentos do silencio que transcorria nos idos tempos coloniais. Em uma ou outra janela aberta aparecem, ainda hoje, grandes cortinas de organza esvoaçando ao interior. Nas grandes portas com pequenos quadrados de vidro besuntado, ou por venezianas entreabertas, expõem discretamente o interior. Nas paredes centenárias quadros com pinturas retratando aqueles que já se foram ou por vezes personalidades da historia local.
O piso das ruas, em algumas
cidades, as pedras lembram um quebra cabeças, que postas e rejuntadas não
deixam muito espaço entre uma e outra, chamam-na de pé de moleque.
Os sobrados e as casas,
enfileiradas, dão a entender que quando foram erguidas aproveitaram-se minuciosamente
todos os espaços, uma segurando a outra, assegurando talvez a união social
determinante, tanto nos negócios quanto a laços familiares.
Nas ladeiras acima a vagareza
de caminhantes sem pressa em chegar, afinal todos ainda guardam um pouco do tempo
em que as horas eram marcadas pelo badalar dos sinos.
A visão do alto retratando os
telhados compõe o traçado das cidades que não se diferenciam muito, parecem
cópias uma das outras. Assim são as cidades históricas mineiras.
As igrejas, por todas as cidades
têm praticamente as mesmas linhas arquitetônicas, as capelinhas se diferenciam,
algumas mais simples, outras requintadas, assim como em seu interior. Ouro,
muito ouro pelos altares onde o brilho tem um contraste especial a cada imagem,
refletindo de certa forma na fé dos fiéis e deslumbrando a quem apenas visita.
Nestas cidades mineiras as
casas e casarões são moldurados, pintados com cores vivas e tendo como pano de
fundo as montanhas das “Gerais” e um infinito céu azul.
A gastronomia guarda muito dos
tempos coloniais em casas de fazenda. Do fogão a lenha uma tênue fumaça
incorpora aos ambientes com mesas e cadeiras rústicas, porém confortáveis. O
“cheiro” exalado pelas panelas de barro constata a fama quando é posta à mesa.
No variado cardápio fica difícil escolher o que saborear, pois a simplicidade
também deve ser degustada juntamente com o sotaque “mineires”.
Em cada rua, esquina, casa,
casarão, igrejas, capelas ou palácios, lá estão a historia, uma historia feita
por senhores e escravos, pelo ouro e pedras preciosas, pelo suor do negro e
pela esperança do senhorio.
“Libertas que será tamen”.
Daí surgiram figuras ilustres, e daí a liberdade brilhou nas “Gerais”. Hoje
temos oportunidade de rememorar caminhando pelos mesmos caminhos, pelas mesmas
ruelas e ladeiras sob o lema da liberdade defendido pelos inconfidentes.Pelos caminhos das Minas Reais - a rota do ouro, das pedras preciosas e da historia da Liberdade.
Matias Barbosa.
Santos Dumont.
São João Del Rei.
Cachoeira do Bom Despacho -Sta. Cruz de Minas.
Tiradentes.
Sabará.
Mariana.

